Quatro da tarde. Festa. 18 crianças. Eu. Mães. Muitas mães. Eu em estado de bicho do mato que não tem vontade de conviver. Presentes. Lanche. Palhaços, 2. Lembro-me de mim, que sempre odiei palhaços. Lanche. Bolo. Presentes. 1 criança, tão bonita, tão bonita mas tão bonita... "vais ser um homem lindo de morrer, benza-te Deus", a mãe correspondente com uma das malas dos meus sonhos (para quem ainda não sabe, este bicho do mato adora malas). 2 crianças que não me largam o colo. Acham-me divertida, "és querida, és tão divertida". Divertida, eu? Extraordinário. Constantes "quero fazer xixi". Vamos. "Tome conta deles, por favor, vou com x e y à casa de banho". Os sorrisos. As gargalhadas. A inocência. O sabermos que um dia também os 18 vão saber o que custa a vida. Que bom vê-los a brincar, sem problemas, sem responsabilidades, sem conta no banco. 18. Alegres. Felizes. Respirei fundo. Ri-me sozinha. No fim, falei com mães e pais de uma simpatia aconchegante. Trouxe para casa uma filha feliz. Com presentes novos e uma alma cheia de alegria. O bicho do mato está moído. Directamente saído debaixo de 1 camião. Com a cabeça preocupada mas com a alma preenchida com 18 sorrisos.