Não, não. Não vou ao ginásio. Odeio ginásios. As minhas crianças, sim. Fazem natação. Uma vez por semana, à mesma hora. Só que ontem, por vicissitudes das actividades de férias, calhou-me levar uma às 16h e o outro às 19h. No intervalo: banho, vestir, sair, entrar, pôr no carro, ir a casa buscar a touca e os óculos, entrar outra vez no carro, ginásio. Cansa? Cansa, de facto. Resultado? Mais ou menos três horinhas no ginásio, sem ginástica. Ora isto dá um verdadeiro estudo sociológico e é um teste de resistência à minha capacidade de fazer conversa. Conversei com a recepcionista, com o professor de natação, com o brasuca do bar, com a massagista do spa. Dei ideias ao Director, uma simpatia (é uma pena que não me paguem pelas minhas ideias, isso é que era). E fiquei, principalmente, sentada a vê-los, a eles e a elas, passar. O delírio para quem tem um sentido de observação como o meu: é vê-los ("meu Deus, porque me fizeste tão bom" - ou talvez "fizestes"?) ora convencidos, ora considerando-se superiores homens de negócios, e elas então são delirantes. Há-as de todos os feitios: tias, manequins, vedetas que gostam de ser vistas, vedetas que não gostam de ser vistas e como tal mantêm os óculos escuros nos olhinhos, criaturas híbridas de carteiras em dourado histérico com calças verde bandeira e sapatos tigre (coisa estranhíssima...), num exercício de culto do corpo que é imune a quaisquer crises económicas que possam incomodar o comum dos mortais...