18 de dezembro de 2007

Alegrias

Quando há amigos que nos desiludem por completo, há aqueles que aparecem com um enorme sorriso e nos dão notícias que nos fazem sorrir. Quando há amigos consumidos pela tristeza, há qualquer coisa que chega e lhes traz alegria. Quando há dias frios e de chuva como o de hoje, é bom ver que há tanta alegria no ar. Porque atrás do que é mau, tem de vir o que é bom. E porque nada, mesmo nada, acontece por acaso. Nem as tristezas, nem as alegrias. E essas, quando chegam sem que estejamos à espera, sabem pela vida.

17 de dezembro de 2007

"Diz que"

... anda moura nova na costa do Président Sarcozy. Não tem mau gosto...

Aqui delira-se

Mãe e filho, em duas secretárias, mastigam Poulain 70% de cacau, embrenhados em trabalhos para casa e outros papéis em monte, saltam nas cadeiras e abanam o capacete ao som de Somewhere only we know. É o delírio.

Amigos

Sou dada aos meus amigos. Preciso deles. Dedico-me a eles. Fui sempre assim. Sempre. Não é de hoje, não é de ontem, é desde que me lembro de ser gente. Durante muitos anos foram muito poucos. Depois, foram chegando e trouxeram uma adolescência feliz, sem sobressaltos. Nas horas difíceis, e nas muito difíceis, trouxeram a pedra, o cal e lá estiveram, estoicamente, a respirar comigo. São muitos e orgulho-me de ter a capacidade de receber sempre os novos, que aparecem de onde não se espera. Tenho-os de infância, dos irmãos, da Faculdade, de emprego (do "sofrimento"). Tomo-lhes as dores, irrito-me com eles, resolvo, qual bombeiro, situações para as quais não deveria ser chamada. E vou, porque devo ir, porque é essa a minha obrigação. Desiludo-me com eles e eles desiludem-se comigo. Mas orgulho-me de ser uma boa amiga. "Há gente que fica na história, na história da gente e outros de quem nem o nome lembramos ouvir", reza a Chuva na voz da Mariza. E eu concordo porque os meus amigos são muita da minha história. E depois aparecem surpresas em jantares paquistaneses, como o que aconteceu no passado sábado, onde me sinto em casa, com pessoas que não conhecendo, já conheço. Abrem os braços e adoptam-me. E são adoptados.
A imagem não consta porque vai contra a minha política "blogueira" mas fica o registo de mais um encontro com os meus amigos. Para o mês que vem, o encontro será indiano.

16 de dezembro de 2007

15 de dezembro de 2007

Os gatos e eu

Detesto gatos. Gosto é de cães mas depois de ter visto este video, passei a admirá-los um bocadinho mais.
Thanks, S.


100 Anos

O Mundo não é fácil, o Mundo é difícil.
Óscar Niemeyer

Espondilose

14 de dezembro de 2007

Apetece-me falar de comida

Como tenho papel e papel para trabalhar e não me apetece, fui alí descongelar bolo de anos porque me apetece chocolate. Além disso tenho que tentar abrir o apetite à minha criança, que está a arder em febre e não come nada. Bom, porque na blogosfera se fala de Natal, o que é que eu gosto de comer a 24 e 25? Bacalhau com espinafres, peru com recheio de castanhas, sonhos, broas (se forem boas), o toucinho do céu da minha mãe, de preferência com café com leite a acompanhar, bolo rei, de preferência nos dias seguintes e ao pequeno almoço e tudo que tenha chocolate. E agora vou alí apanhar uma chocolatose e pegar nesta maravilha que tenho aqui para ler.

Nespresso

Acho que não voltava ao assunto há coisa de um ano. Hoje pude ver o Chiado decorado com cápsulas gigantes, douradas e encarnadas.
O café. O vício. A decoração.

Quanto a mim...

É bem feito. Ponho-me com verborreias furiosas e dá nisto. Depois de um doente, tenho a outra, às portas das férias de Natal, a arder em febre. Ao menos podia ser poupada, já que eu é que tenho o espírito crítico. Vai ser um fim de semana de arromba, o que vale é que levo muito trabalhinho para casa...

O país que temos

A BCG (Bacille Calmette-Guérin, para quem não sabe) tem o stock esgotado em Portugal. Os recém nascidos estão a ser vacinados, claro está, em Espanha. Boa!

13 de dezembro de 2007

Não sei onde se compra

Mas urge consultar a obra de Carlos Barreira da Costa, A Medicina na
Voz do Povo, resultado de anos de prática profissional, senão vejam,

"Tenho a língua cheia de Áfricas.

Na voz sinto aquilo tudo embuzinado.

Há dias fiz um exame ao capacete no Hospital de S. João.

Fui a um desses médicos que não consultam a gente, só falam pra nós.

Vem-me muitos palpites ruins, assim de baixo para cima....

Fazem aqui o Papa Micau (Papanicolau)?

Metade das minhas doenças é desfalsificação dos ossos e intendência
para a tensão alta.

Já tenho os ossos desclassificados.

O meu reumatismo é climático.

Fujo dos antibióticos por causa do estômago. Prefiro remédios
caseiros, a aguardente queimada faz-me muito bem.

Eu sou um fumador invertebrado.

Fui operado ao panquecas.

Tive três úlceras: uma macho, uma fêmea e uma de gastrina.

Tenho pedra na basílica.

Fiz uma mamografia ao intestino.

Tomo umas cábulas à noite.

Não sou muito afluente de vir aos médicos."

Festas de Natal

Depois de um dia produtivo passado em reunião científica, lá vou eu mais rica pela absorção de conhecimentos, à festa de Natal nº 2 da semana, a da minha criança mais pequena. Corro, recolho o mais velho e encontramo-nos com o pai para um lanche. E chega a hora. Preparados? Espero que sim, porque eu nunca estou preparada para este programa. Em instituição secular e prestigiada, prepara-se a festa do Natal. Gente, mães, pais, avós, primas, tios e amigos. Bla, bla, bla, e porque vão para o ski (o raio da mania do ski...), e porque tiveram a demonstração da bimby (sim, sim, tenho uma) e porque as toilettes do Natal e bla bla bla. Uma jet set, bem "educadíssima", passa à frente de toda a gente. E porque não? Aparece nas revistas!!! Quem somos nós, trabalhadores honestos e pais de família? Lá estou eu com o meu mau feitio.... A porta abre e começam as cotoveladas, a histeria, a nervoseira, a que se junta a parvoice aguda. "O Manuel e o Francisco, que chatice, não os vejo!!!". Breathe in, breathe out. E o que interessa, perante um presépio vivo que relata o espírito do Natal, é atender o "tefone" e dizer que está cá em cima e não a encontra, ou que o Zé está sem som no tefone!!! Pois!!! Porque o que interessa é atender o tefone, em plena instituição religiosa, em plena festa dos filhos.... Dos filhos não, do filho, porque o dos outros não interessa. O nosso é que é "o máximo" e faz ski, claro. O nascimento de Jesus, o espírito secular católico, o amor ao próximo, assim se desvanecem, em nome da feira as vaidades.
E eu, que sou eu, que detesto muita gente junta, detesto má criação, detesto gente que não vale um caracol e que se julga "fantáaaastica", adoro gozar o prato. E já defendia o grande Eça, que Portugal era um país de valor mas muito mal frequentado.
Quanto ao meu desejo de Natal? É simples: que os meus filhos sejam pessoas decentes. Educadas, conhecedoras, humildes, seguras e atentas ao próximo, mesmo que tenham uma bimby e mesmo que decidam fazer ski.
E desculpem-me, caros leitores, a minha verborreia.

12 de dezembro de 2007

Internacionalização

Na véspera do Tratado de Lisboa, este canto recebeu visitas do Brasil, Reino Unido, Roménia, Eslovénia e Tailândia. Vou escrever mais vezes azulejo e muitas vezes Paris Hilton e de certeza que o google analytics vai diminuir drasticamente a taxa de rejeição e aumentar a percentagem de novas visitas. Maravilhas da tecnologia!

Natal lembra-me....

Obrigada Ana!

É que a Ana e eu estamos empenhadas, como tantos outros, em provar que esta é a melhor banda sonora televisiva de sempre. Esta maravilha, por exemplo, consta do segundo volume.


11 de dezembro de 2007

Fica bem!

Esta é outra. Que é isto do "fica bem"? Adeus, até amanhã, prazer em ver-te, até qualquer dia, depois falamos. "Fica bem"? A que propósito? Fico bem se me apetecer, se me apetecer ficar mal, ou indisposta, ou virada do avesso? Hum?
O espírito natalício faz destas coisas... Vira a coisa para a critica sociológica.

Eles

Ela resmunga por ter de o ouvir.
Ele refila por ter de a ouvir.
Eles juntaram-se para eles terem de os ouvir.
A vida tem destas coisas.

Aqui

O que não muda

É que continuo, aos 32, a surpreender-me com coisas às quais já me devia ter habituado, de tanto ouvir ao longo dos anos mas é mais forte que eu e tais coisas continuam a ferir-me os ouvidos. Ambas as duas, tem a haver, o "menino" e a "menina" como forma de tratar crianças que normalmente até têm um nome, vistes, fostes e comestes, "ó pssssst" para se chamar um empregado de mesa digno de um por favor, "ó fachavor", "ó môr", "riqueza da sua mãe", etc, etc, etc. Não se lê neste país? Acho que não. Mas também, que dizer desse mesmo país onde se dá a designação phone-ix a um sistema telefónico?

10 de dezembro de 2007

Sebastião José

Casa mãe

Defendo as pequenas mudanças. Considero-as saudáveis. Tenho a mania nos genes, dos quais muito me orgulho. Gosto de mudar a decoração, a arrumação dos armários, os objectos. Fui sempre assim e vou ser sempre assim. Parece-me, no entanto, que o branco e azul deve voltar ao que era. O décor mudará sempre. Faz parte. Quem aqui vem habituou-se à designação. Além disso, quando durante anos se estuda uma determinada coisa, que inspirou o nome em causa, bem como o próprio blog (e falo do Azulejo), esta fica-nos colada à pele pelo tempo fora. O azulejo sou eu e o branco e o azul também. Assim, visitantes assíduos, permanece a referência ao azulejo, que para mim é também ciência e é também vida.

Já tardava...

Grey´s Anatomy 3 (Soundtrack).
Porque não se toca nesse assunto, aqui, há algum tempo.

8 de dezembro de 2007

Breathe

"Posters produced to raise awareness of the destruction of the Amazon rainforest for the US-based charity Rainforest Action Network (RAN). www.ran.org."
Do Non 2, com origem aqui.

7 de dezembro de 2007

Quando a arte se funde com outros saberes...

"Sei que sou um poeta no meio dos deputados, mas antes um poeta no meio dos deputados do que um político no meio dos poetas."

Almeida Garrett

Caetano

Pela culpa que sinto por não haver ainda Caetano no meu ipod.
Inacreditável...

Uma surpresa destas na minha secretária!!





6 de dezembro de 2007

Não resisto

Eu detesto política mas acho memorável a cara do dito Primeiro em convívio com o dito Kadafi (o que tem direito a pernoitar em S. Julião da Barra, gostaria eu de saber a propósito de quê). Vou ao 31 da armada, onde, certamente, o assunto será devidamente dissecado, com a inteligência e a acutilância que lhe são características. Parece que a cimeira custará 10 milhões e vai-se discutir África. No telejornal, saem palavras notáveis de um jardineiro camarário e africano: "10 milhões davam jeito no Darfur, não lhe parece?". Mais adiante, perguntam a um senhor o que é o Darfur: "um supermercado". A sabedoria do povo é contraditória e complexa. A natureza deste país também.
Vou alí para a minha tenda blindada. Até logo!

Balanços

O que come uma criança num intervalo ente dois picos de febre, ao almoço:

1 prato de sopa,
3 (sim, 3) pratos de arroz de atum,
2 taças de gelatina de morango,
1 copo de sumo de laranja.

Não come tanto quando não está doente...
Ele há coisas...

Para hoje há:

Infecção nas amígdalas, febre e medicação a preceito. Chegou o tempo mau para as crianças, que tem como vantagem não ir à escola e o tempo mau para os pais que tem como desvantagem a ginástica para conseguir não trabalhar e desdobrar esforços. Vantagens do Inverno...


© Henry Gray, Anatomy of human body, 1918.

Chegou à Fnac



5 de dezembro de 2007

Ainda a força das palavras

Ver da gente forte o gesto e o modo.
Luis de Camões, Lusíadas, Canto II

4 de dezembro de 2007

E ganhei o dia

Vou ter uma sobrinha emprestada com nome igual ao meu.

Aquisições (I)




De volta

De volta. Directamente da civilização, de uma cidade natalícia por excelência. De longos passeios em boa companhia. A Tate Modern é um fascínio. A National Gallery continua um must. As livrarias têm aquele sabor de sempre. O Hamleys com crianças é outra coisa. Volto depois com capítulo dedicado às aquisições.

29 de novembro de 2007

Post muito meu

Problemas? Temos todos. Dias de neura? Temos todos. País em crise? Temos todos. Mundo de pantanas? Temos todos. Há que relativizar as coisas? Pois há. Hoje, hoje mesmo, conheço um filho que perdeu a mãe, um irmão que perdeu a irmã, amigas que perderam uma amiga. Pessoas que perderam uma referência levada pela doença que levou à morte. Sim, sim, essa que não tem mesmo solução. Temos todos dias maus? Temos, pois temos. Mas uns têm hoje um dia pior que outros. É viver enquanto se pode, é respirar enquanto houver oxigénio. E aqui fica a minha homenagem, muito minha, a quem partiu, que descanse em paz merecida e a quem fica, que tenha todo o oxigénio necessário para conseguir lidar com a violência da perda que marca o resto da vida. São dias...

Vou alí, já venho


28 de novembro de 2007

Cuguismos

Não tenho que enaltecer nem a Cuga nem o seu The rest is silence, porque entre as amizades de anos e de muita troca de ideias não são precisas muitas palavras. Mas remeto aqui para o post de hoje, uma carta ao Pai Natal, que é realmente brilhante.
Estás cada vez melhor. O que é que tomas?

27 de novembro de 2007

A propósito de Obélix

"Ils sont fous ces romains!"
Les lauriers de César

Vem aí




Leituras

Acabado o último Harry Potter, dei ontem por mim sem livro que me apetecesse ler. Quando isto acontece, pego sempre no mesmo, A Cidade e as Serras. Mas como já o li três vezes, desta vez recusei-me. Peguei n´Os Maias. Comprado, lido e assinado em 1992. Comprado para a disciplina de Português do 11º ano. Não lhe pegava desde aí. Viveu vários anos na mesma estante, mudou de casa três vezes e nunca mais tinha sido aberto. De facto, os nossos livros fazem parte de nós e dizem da nossa história. Lá estive, mergulhada no Douro, em Benfica e no "Ramalhete" das Janelas Verdes, em obras para receber o Pedro, médico formado em Coimbra, acabado de chegar da sua viagem pela Europa. Nada como respirar um clássico.

26 de novembro de 2007

Contrários

Uma reunião na Baixa leva ao Rossio. No Nicola, sob o olhar petrificado de Bocage, opto por uma sopa e uma salada de frutas, já que não encontro fome para o bife. A sopa leva-me ao sabor da infância, tem coisas a boiar. A salada faz pensar porque é que insisto em comer uma coisa de que não gosto. À esquerda, uma senhora disseca atentamente uma maçã assada, à direita, dois vizinhos ibéricos dizem mal de Portugal. "Queriam mas não é vosso, é nosso". Na saída, a Lisboa europeia com cheirinho a bas fond mostra a mistura de raças, a loja de chineses e a profissional da vida completamente drogada. E vem a Avenida, com o vento, o azul e o amarelo inigualável da luz de Lisboa. Mais acima, porque preciso de um arranjo na caneta, entro numa Mont Blanc apinhada, apesar da crise nacional. A Lisboa dos contrários.

25 de novembro de 2007

A época natalícia

Tem alguns inconvenientes. Os piores? Gente, muita gente, aos montes, a gastar dinheiro como se o amanhã não existisse e a música, a malfadada música ambiente de Natal, que se começa a entranhar nos ouvidos em Novembro. E cá estou eu com mais uma vantagem do ipod: ideal para parques infantis e também para compras em período natalílicio!


24 de novembro de 2007

Foi festa

Foi boa a festa, Turtle!
Bom ver-te alegre, contente, fresca, e rodeada de amigos e da "famila".
Thanks!!

23 de novembro de 2007

O último. Não há mais...

"Pensar que as pessoas tinham anos e anos de vida, que podiam dar-se ao luxo de perder tempo, que tinham tanto tempo que parecia arrastar-se, ao passo que ele se agarrava a cada segundo que passava."

J. K. Rowling, Harry Potter e os talismãs da morte

Cientistas e pensadores

"A vida é como uma sala de espectáculos, entra-se, vê-se e sai-se."

Pitágoras

22 de novembro de 2007

A ciência da informação

Roubei ao Pai. Muito bom. Refere a Wikipédia. Muito útil, sim senhor mas eu cá tenho muito cuidado com ela. Evito-a. Pode ser dúbia e perigosa e é proibida num trabalho científico que se queira sério e de qualidade. Continuo a preferir a maravilhosa Luso-brasileira. Jornais, sim, leio-os na internet. Quanto a livros, valem-me pelo conteúdo mas também enquanto objecto.

21 de novembro de 2007

A força de algumas palavras

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.

Fernando Pessoa, Mensagem

A vida é uma ciência

A partir de hoje, o Branco & Azul sofre uma metamorfose. Muda de título. Reflexões e ideias, ao sabor do tempo e da disposição, vão procurar manter visitantes assíduos que merecem o meu esforço. Obrigada.
(O título foi escolhido de acordo com mais uma ideia da Cuga).

19 de novembro de 2007

Ida à bola

No sábado, em Leiria, família na bola, a ver a Selecção. Esta que se assina não ía à bola há anos e gostou. Faltou o "farnel" e a manta. Sim, porque o frio era mais que muito. A parte do aquecimento em campo parece uma aula de ballet. Um programa a repetir.

18 de novembro de 2007

Será que?

Alguém presta atenção (ainda) às opiniões do Professor Marcelo Rebelo de Sousa na Rtp, ao Domingo, a seguir ao Telejornal? É que hoje apercebi-me de que simplesmente deixei de o ouvir...

16 de novembro de 2007

An Apple a Day Keeps the Doctor Away

António Gedeão

Ouvi-o pela primeira vez, da boca de um grande senhor.

Numa qualquer manhã, um qualquer ser,
vindo de qualquer pai,
acorda e vai.
Vai.
Como se cumprisse um dever.

Nas incógnitas mãos transporta os nossos gestos;
nas inquietas pupilas fermenta o nosso olhar.
E em seu impessoal desejo latejam todos os restos
de quantos desejos ficaram antes por desejar.

Abre os olhos e vai.

Vai descobrir as velas dos moinhos
e as rodas que os eixos movem,
o tear que tece o linho,
a espuma roxa dos vinhos,
incêndio na face jovem.

Cego, vê, de olhos abertos.
Sozinho, a multidão vai com ele.
Bagas de instintos despertos
ressuma-lhe à flor da pele.

Vai, belo monstro.
Arranca
as florestas com os teus dentes.
Imprime na areia branca
teus voluntariosos pés incandescentes.

Vai

Segue o teu meridiano, esse,
o que divide ao meio teus hemisférios cerebrais;
o plano de barro que nunca endurece,
onde a memória da espécie
grava os sonos imortais.

Vai

Lábios húmidos do amor da manhã,
polpas de cereja.
Desdobra-te e beija
em ti mesmo a carne sã.

Vai

À tua cega passagem
a convulsão da folhagem
diz aos ecos
«tem que ser».

O mar que rola e se agita,
toda a música infinita,
tudo grita
«tem que ser».

Cerra os dentes, alma aflita.
Tudo grita
«Tem que ser».


António Gedeão, Estrela da Manhã

14 de novembro de 2007

De Espanha

Ontem ficou-se a saber que a Elena e o Jaime se separaram (ah!!!!!).
E entretanto, deixo qui esta pérola política. Do melhor.

13 de novembro de 2007

12 de novembro de 2007

Avelãs não são bolotas...

E os esquilos comem avelãs!
Bon´ap esquilo.

Mais uns dias

E lá estarei eu em Londres a lanchar scones com chá e outras coisas na maravilhosa Fortune & Mason e a tomar um pequeno almoço no Harrods. A entrar maravilhada (como sempre) no Boots e no Hamleys (que no Natal deve ser insuportável...), na Liberty e na Muji. Está quase...

11 de novembro de 2007

The lives of others

Porque há cinéfilos convictos e até profissionais, a visitar o Branco & Azul, resolvi partilhar este Lives of others, visionado ontem aqui no cine-sofá. Recuso-me, desde In the name of the father e desde Imagining Argentina, filmes entre si incomparáveis em termos de qualidade (diz esta leiga) mas absolutamente traumáticos no campo da história da tortura; a forçar o olhar e o cérebro aos horrores praticados pelo Homem em nome de sistemas, ideais e políticas. Adiante. Com o passar dos minutos, o filme foi cativando. Passa-se na Alemanha dividida e retrata a perseguição, a subversão e a política de medo vividos no lado da RDA e mostra o lado bom de um agente estatal, que salva a vida a um escritor. Talvez Rousseau tivesse razão, quando dizia que o homem nasce naturalmente bom e é corrompido pela sociedade. Talvez no meio dos regimes subversivos que pontuaram a História, houvesse criaturas puras. Talvez...

Ser figura pública

Deve ser tarefa árdua. Estava eu, pela manhã, no parque infantil, com as minhas crianças e o meu ipod a proteger-me da papa, escola, trabalhos e "olhó menino que cai" quando reparo que os poucos transeuntes adultos estavam de queixo caído a olhar para alguém. Ora eu quando vejo uma figura pública, gosto de agir como se a mesma fosse transparente e explico poquê: porque fujo ao comportamento "tuga" habital e sim, porque tenho mau feitio. Irrita-me contribuir mais para o vedetismo de quem já é vedeta. Foi então que vi uma famosa apresentadora de tv, com mãe e cria a preceito. E lá esteve, sob olhares insuportáveis. Muito mais magra do que parece, com um cabelo em muito mau estado (talvez uma máscara ou um amaciador?) e muito mais deslavada do que imaginava. Mas bonita, sem dúvida. Faça-se justiça. E com um filho igual ao pai. Fez-me impressão ver a complicação que é não poder andar na rua sem se ser um simples anónimo...
Quem era? Adivinhem...

9 de novembro de 2007

Directamente de 1973

Jesus Christ Superstar. Quando eu "cheguei", em 1975, já existia o espectáculo. O lp rodou vezes sem conta na Bang & Olufsen de mesa que havia lá em casa. Ficou registada na minha memória musical, tal como Joe Dassin, Elton John, Beethoven até ao desespero (compositor que, por acaso, até hoje não ouço...) e outros. Esta banda sonora, não sei porquê, marcou-me. Ficou-me. Talvez por isso esteja a preparar-me para ir ver a adaptação do Filipe la Féria...


8 de novembro de 2007

Haiti

Caetano e Gil, só pode dar coisa boa mas esta, que tem Caetano como autor, é das que eu mais gosto. Tem uma mensagem social fortíssima, um ritmo especial e eu tive a oportunidade única de a ouvir ao vivo, em 1998, cantada por Caetano e Pedro Abrunhosa. O Haiti não é aqui.

1 ano de Branco & Azul (já?!)

7 de novembro de 2007

Novo Potter e nova Fnac

Vem aí, dia 16 e o melhor é que já poderei adquiri-lo na nova Fnac, que vai abrir bem perto de casa. Uma perdição imprópria para as finanças...

3 kilos

Situações de stress fazem isto. Por aqui engorda quem, como eu, tem tanto cuidado com o peso a mais, o que, no caso, tem a ver com questões estéticas mas também com questões de saúde, nomeadamente de circulação sanguínea. Agora é trabalhar, com calma, para dar cabo de 3 kilos a mais. Até logo.

6 de novembro de 2007

Bravo!

Para o bem, para o mal, quer se goste, quer não se goste, o fado é embaixador. Identifica a alma, a tristeza, a saudade, a cultura e a identidade de Portugal. Eu gosto. Sempre gostei. E gosto desta voz. Gosto da figura, pela originalidade, pela aparente simplicidade e pelo aparente desapego ao habitual vedetismo de "diva", que no caso das fadistas traz muitas vezes um certo elitismo inerente. Orgulhem-se. Se quiserem.

Ossos do ofício

- Olá. Bom dia. Pediram-me para te entregar isto.
- Desculpe?
- Isto. Toma. É para ti.
- Para ti?
- Pois. Toma.
- Resposta.
- Contra resposta.

Conversa, pedagogia, conversa, paciência, tolerância, diferença de culturas. Ossos do ofício. E que ossos. E que ofício. Só quem o conhece, para falar dele...

Rio das Flores

A leitura está completa. Continuo a dar o primeiro lugar a Equador mas gostei muito. Miguel Sousa Tavares prende pela maneira como escreve - escreve bem. E Diogo Ribera Flores, em jeito de conclusão reza assim:

O mundo nunca seria, decerto, um lugar tranquilo nem a vida uma estrada sempre a direito. Haveria outras noites e outros dias de angústia e de sofrimento, ocasiões em que hesitaria no caminho a seguir, em que duvidaria de si próprio, em que talvez se voltasse a sentir até dividido ou perdido. Mas agora estava em paz e feliz.

Miguel Sousa Tavares, Rio das Flores.

5 de novembro de 2007

Faltam 25 dias...


Tintoretto (1518-1594)

Foi descoberta uma Adoração dos Magos da autoria de Tintoretto. Em Portugal!
Notícia aqui.

3 de novembro de 2007

2 de novembro de 2007

Natal?

-"A mãe sabe o que é o Natal?"
-Tenho ideia...
-"É uma oração de paz universal."
-Para toda a gente?
-"Claro, a ideia do Natal é essa."

E pronto. Há dias em que se ouvem estas coisas de uma criança de tenra idade. Logo num momento em que estava no meu excel a definir o meu orçamento para presentes de Natal. Fiquei com vontade de o reduzir logo para metade... ou menos. O consumismo, cada vez mais, toma conta do Natal.

Azulejo (I)

Para hoje

Crianças no local de emprego (uma festa), com direito a desenhos, jogos de computador, ida a outras capelinhas para os habituais "ai que grandes que estão!" e estrilho no bar. Segue-se ida ao emprego do pai, com viagem e almoço incluídos. Regresso a casa para mudanças de elevado grau na sala. Arrumações, arrumações e arrumações. Mesmo como eu gosto. E fim de semana à vista.

31 de outubro de 2007

Comecei. Promete...

Agenda

Esqueci-me da minha agenda, ontem, numa loja. Só a vou rever hoje ao fim do dia, o que para uma "organizadinha" como eu se pode revelar uma grande chatice...

30 de outubro de 2007

Lembram-se?

Buongiorno principessa!
Porque há filmes que ficam na memória.

Coisas que se ouvem na rua

Ontem, numa ida ao supermercado, deparei-me com uma conversa do melhor que há... Fala-se cada vez melhor português aqui no cantinho à beira-mar.

- Sabes onde vamos almoçar, môr?
- Já escolhestes? (escolhestes...)
- Há alí umas daquelas tias, sabes?
- Que tias?
- Aqueles prontos a comeres... Vamos lá almoçar!

29 de outubro de 2007

O sétimo selo

Considero os romances históricos perigosos. Criam a ilusão de que se fica a saber tudo sobre um determinado período ou personagem, o que para que estudou História se torna numa ilusão complicada e pouco respeitadora para quem realmente mexe nos documentos, nas fontes. Evito-os muitas vezes por isso, o que não quer dizer que seja radicalmente contra. Li os Dan Brown, que ao fim de 4 me parecem todos iguais e parece-me impertinente, no mínimo, que se diga "o Dan Brown atribuí o acontecimento tal a tal". Imagine-se... Os romances históricos são agradáveis de ler, é certo. E nem todos temos que ter a capacidade de gostar de ler Alexandre Herculano, esse sim, autor de romances históricos de facto e de direito... Isto tudo para dizer, apesar da minha posição face aos ditos, que tenho lido a obra de José Rodrigues dos Santos, cuja preferência vai para A filha do capitão, por retratar um assunto por desbravar - A Batalha de La Lys - de forma rigorosa e o contrário para A fórmula de Deus, que não gostei de ler. Estou a ler O sétimo selo, que relata o problema actualíssimo da dependência do petróleo. O autor não é historiador, nem me parece que pretenda sê-lo, é um excelente jornalista, que sabe escrever e que sabe fazer investigação histórica. A sua leitura flui e é pedagógica.

28 de outubro de 2007

Conclui-se ...

Que o ipod é o melhor amigo das mães que levam as crianças aos parques infantis ... continuam-se a ouvir as crianças, cujo barulho é coisa tão saudável e evitam-se as conversas entre as outras mães, em jeito de troca de cromos, do que come, do que faz na escola, das horas a que toma banho, das más criações cheias de graça que dirije aos pais... Ouve-se música...

27 de outubro de 2007

26 de outubro de 2007

Mais um, lido em território italiano e em espaço aéreo entre Lisboa, Milão e Roma. Um dos melhores, até agora. Ainda me faltam três.

Em Manágua, Guillermo Vargas

Um artista. Um cão. Uma galeria de arte. Um choque. Guillermo Vargas expôs um cão vadio. Sem comida. Sem água. Deixou-o morrer. Expôs a morte. Expôs a crueldade. Expôs a não-arte.
Para quê? Para provar a hipocrisia das pessoas. E do artista.
Aquilo não é Arte.
E não, não é Arte contemporânea.
Aquela não é uma galeria.
Aquele não é um artista.
Choca-me que ninguém tenha feito nada para evitar aquela "Arte".
Será que em Portugal seríamos assim tão hipócritas?
Espero que não...

Parar para pensar

Pensar... Ao ritmo de um ataque frenético a um pacote de M&M´s, dos amarelos. Porquê? Nem sei... detesto amendoins! A vida às vezes pára, às vezes evolui. Traz leveza e alívio. Depois de um objectivo cumprido, deve ser normal que isso aconteça. A auto estima renova-se quando percebemos que sempre somos capazes. Olhar para nós, olhar à volta. Voltar a mergulhar a mão no pacote amarelo. Chegar à conclusão que os 30 são uma boa idade. Trazem maturidade. Parar é bom.

Credo!

Estou tão mergulhada em papéis e post its que não tarda afogo-me.

25 de outubro de 2007

5 dias

Depois de cinco dias ausente, regressei mais rica. De trabalho, de convívio, de conversas, de troca de ideias, de gargalhadas, de muitas gargalhadas... Florença continua imponente e cheia de memórias, as do Renascimento, da qual é berço e as minhas também. A troca de ideias profissionais, em nome da mesma causa, é de facto imprescindível. O contacto com um grupo de jovens cheios de vontade, de energia e de força para lutar pelo futuro, que perseguem a tarefa com alegria, humor e inteligência, faz ter vontade de andar para a frente. Faz pensar que vale mesmo a pena...

23 de outubro de 2007

Sem acentos nem "til"....

"Posto nuovo" de Italia, onde sou vitima de um frio avassalador, para o qual nao estava preparada, para um post comemorativo da efemeride de 9 anos de casamento (o teclado é evidentemente italiano, por isso esquecam pontuacao). Sem acentos, sem "til". Com saudades de casa e quase quase a caminho.
Buongiorno a tutti!

16 de outubro de 2007

William Morris (1834-1896)

Esta que se assina está quadrada de tanto azul e branco e resolveu, temporariamente, deixar de pensar nos ditos. A uns dias de regressar a Florença (a trabalho), nove anos depois da última vez, ando aqui a relembrar a minha formação e a repensar Guiberti, Brunelleschi, Piero della Francesca, etc, etc. Em retrospectiva, pensei nas exposições que mais marcaram a minha memória dita artística (ou pictórica, ou iconográfica ou wathever) e lembrei-me de William Morris, no Victoria & Albert de Londres, lá para 1996. Inesquecível. Apreciem. São padrões, senhores. São padrões.

A mana tartaruga

Ficou zangada comigo porque não referi o arroz de polvo dela, que eu nunca comi, como tal, lembro aqui uma das coisas que ela faz e com a qual eu deliro - tarte tatin. Por acaso não como há muito tempo e pode ser que desta maneira eu seja brindada com um exemplar. É caso para dizer que me estou a "fazer ao tatin"....

De acordo com as várias famílias...

mantem-se o Branco & Azul.

14 de outubro de 2007

Arroz de polvo

Chego à conclusão que as minhas amigas são doutoradas em arroz de polvo. S. faz aquilo que é um primor. Comi uma vez, há anos e nunca mais o vi (sim sim, é uma boca da reacção, a reclamar bis). Ontem comi um feito pela Rita, que estava de tal maneira bom, que repeti 4 vezes (depois da tempestade vem a bonança e já recuperei o apetite). Ainda por cima teve gosto de comemoração e de entusiasmo. Isto tudo porque eu adoro arroz de polvo e não sei produzi-lo. Resta-me saber se a Cuga, exímia cozinheira, para além da sua lasanha de atum, também arranha o malandrinho de polvo. Imagino que sim.

Overdose...

Daquelas cascas de laranja cobertas de chocolate, da Garrett, no Estoril. Muito grave...

13 de outubro de 2007

12 de outubro de 2007

Branco & Azul

Ando com vontade de mudar o nome ao B & A, que está quase a fazer um ano de vida.
Quero antes consutar os meus fiéis visitantes a esse propósito.
Opinem, por favor.

11 de outubro de 2007

Para breve...

... mudanças neste blog.

Conclusões tiradas depois de um dia duro,

Já está!
Tenho sono,
Dói-me corpo,
Custa-me dormir,
Há muitas coisas (profissionais) que quero fazer,
Tenho uma família que é um fenómeno,
Tenho uns amigos do outro mundo,
Estou cheia de mimo,
Tenho um ipod,
Tenho uma data de presentes novos que não enumero para combater a futilidade,

E afinal, está tudo igual. O que muda de facto? O reforço que teve a importãncia do que é realmente importante: as pessoas.
As nossas pessoas.